04/08/2016

Filosofia na Católica Braga atribui bolsas de estudo


A fim de incentivar o estudo da Filosofia, a Univ. Católica Braga atribuirá bolsas de estudo aos alunos da Licenciatura em Filosofia.
Cada bolsa equivale a 75% do valor da propina mensal.
Mais informações no endereço - http://ffcs.braga-ucp.com/index.php/l...
Blog do Curso de Filosofia - http://filofacfil.blogspot.pt/
O Curso de Filosofia no Facebook - https://www.facebook.com/pages/Licenc...
A UNIV. CATÓLICA ENSINA FILOSOFIA, EM BRAGA, HÁ MAIS DE 70 ANOS.


28/07/2016

Filosofia de consultório/ Filosofia Clínica

O autor Lou Marinoff diz que a ciência deixou as pessoas mimadas e sugere o pensamento filosófico como alternativa às drogas no combate de problemas psicológicos


Tania Menai, de Nova York

Antes de engolir uma pílula para acalmar os nervos, olhe no espelho e pergunte-se: “Por que existo?”, “Afinal, o que é correto?”. Filosofar em plena crise pode parecer coisa de louco, mas filósofos acreditam que esse é o primeiro passo para resolver nossos problemas e avaliar o que realmente queremos da vida. Para eles, saber usar idéias pensadas e repensadas por milênios pode ser o melhor remédio para os grandes dilemas atuais – nenhum problema é novo, alguém já passou por ele. Por isso, cada vez mais pessoas estão deixando seus divãs freudianos e buscando respostas de filósofos que as guiem pelos ensinamentos de Aristóteles, Maimônedes ou Platão. Autor do best seller mundial Mais Platão, Menos Prozac e do recém-lançado Pergunte a Platão, o americano Lou Marinoff, 53 anos, tornou-se o papa do assunto. De licença da Faculdade da Cidade de Nova York, ele atende pacientes em seu consultório e viaja o mundo dando palestras. Seu objetivo é trazer de volta uma sabedoria esquecida pelo homem – e da qual ele precisa.

Por que pessoas estão buscando cada vez mais a prática filosófica?

Um orientação filosófica é algo que desapareceu da nossa cultura, mas certamente é necessária. Quando comecei a prover este serviço, eu estava respondendo a uma demanda. Outros filósofos já faziam isso nos EUA, na América Latina e em Israel. As pessoas sabem que está faltando filosofia em suas vidas. O mundo é um lugar muito conturbado – e está cada vez mais volátil, instável, complicado, perigoso, e também mais próspero. Então as pessoas precisam de mais recursos para administrar o que acontece ao seu redor. Elas estão se voltando para a filosofia por estarem desesperadas e não terem mais para onde se voltar.

O que há de ruim na busca de soluções rápidas ou até imediatas, como o uso de remédios, para problemas emocionais?

Sabia que Buda, Pitágoras, Sun Tzu e Leónidas viveram juntos?

Mapa interativo mostra personalidades que foram contemporâneas em vários campos do conhecimento


Enquanto Galileu Galilei observava o cosmo na Itália, William Shakespeare era um dramaturgo em atividade na Inglaterra. Enquanto isso, Caravaggio, pintor que apresentava à sociedade italiana uma arte obscura e nova. Ao mesmo tempo, Miguel de Cervantes esmiuçava as aventuras Dom Quixote, na Espanha. Eles não eram amigos, e muitos nem sabiam da existência uns dos outros, mas todos viveram ao mesmo tempo.

O Map of Contemporaries mostra quais grandes personalidades dividiram o mesmo período na Terra - muitas das vezes, sem nunca terem ouvido falar uma das outras. Por meio de uma interface simples e horizontal, é possível filtrar resultados por região e campo do conhecimento para traçar uma linha do tempo única. Com um clique, o mapa te leva à página da Wikipédia de cada personalidade histórica.

Em algum momento, Buda, o matemático Pitágoras, o filósofo Confúcio, o general Sun Tzu (autor de de A Arte da Guerra) e o espartano Leonidas viveram ao mesmo tempo. Milhares de anos depois, Karl Marx, Charles Darwin e Vicent Van Gogh partilharam décadas do século 19.

A linha do tempo criada pelo site utiliza o banco de dados do Panteon, um projeto de gráficos interativos desenvolvido por uma equipe do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussets, EUA). Segundo Yuriy Bogdanov, programador e criador do Map of Contemporaries, a disposição horizontal da História é capaz de criar linhas do tempo imersivas, gerando perspectivas inteiramente novas sobre a História. O objetivo é que a proposta se torne colaborativa e a lista receba ainda mais nomes de notáveis.

Uma breve história da filosofia

Conheça aqui as principais épocas e os mais importantes pensadores de cada escola dos últimos 2700 anos, para você nunca mais confundir.


A filosofia não nasceu na Grécia. A terra natal de Tales, considerado o primeiro filósofo da história, é Mileto, cidade do sul da Jónia, região que hoje pertence à Turquia. Ou seja, é correto dizer que a filosofia nasceu no mundo grego, mas o mundo grego dos séculos 7 e 5 a.C. não tem nada a ver com a Grécia de hoje. Abrangia a costa do Mar Egeu, de Mármara e boa parte do Mar Negro, além do sul da Itália e das regiões costeiras da França, Espanha e África. Demorou quase cem anos para a filosofia chegar à capital Atenas, onde viveu Sócrates, uma espécie de Jesus Cristo da filosofia.

Motivo: assim como o calendário está dividido em antes e depois do surgimento do messias cristão, a filosofia também tem duas eras: pré e pós-Sócrates. Na era pré-socrática, a principal preocupação era saber de que era feito o mundo e o ser humano. A pergunta "de que são feitas as coisas?" pode soar ingênua e até infantil. Mas o filósofo Timothy Williamson, de Oxford, considera uma das melhores perguntas já proferidas - uma questão que nos conduziu a boa parte da ciência moderna. Pela primeira vez na história, os pensadores colocaram o raciocínio na frente da mitologia. Eles não engoliam a ideia de que o mundo surgira do nada. "Nada vem do nada e nada volta ao nada" era uma premissa básica para os pré-socráticos, o que significava dizer que o mundo é uma eterna reciclagem, tudo se transforma sem jamais desaparecer. Eles tinham até uma palavra para esse mundo perene: physis, do verbo grego "fazer surgir". Physis era a origem de todos os seres e coisas mortais do mundo, que estão em permanente transformação. O café quente esfria, o inverno vira primavera, o longe fica perto se formos até ele, a criança cresce e vira um adulto. A natureza está em constante transformação, mas isso não quer dizer que ela é caótica. As mudanças seguem uma lógica determinada pela physis.

Mas afinal o que era a physis? Cada pensador achava que era uma coisa. Tales afirmava que o princípio era a água ou o úmido. Anaximandro, oinfinito. Anaxímenes, o ar. Pode parecer simplório, mas era a primeira vez que se buscava uma resposta racional para a origem do mundo.
Conheça os pensadores da Era Pré-Socrática









Pequena enciclopédia SUPER de filosofia

O problema é que, nesse tempo todo, acabou criando um monte de palavras difíceis. Mas fique calmo: agora você vai entender o que elas significam


Cartesianismo: Duvidar de tudo, negar tudo que não resiste à dúvida, como queria o francês René Descartes , o principal dos filósofos modernos. No livro Meditações Metafísicas, de 1641, Descartes propôs que todo conhecimento começasse de volta, do zero, recusando todos os “argumentos de autoridade”, aquilo que o homem acreditava por tradição ou por imposição de alguma autoridade ou religião. Para perceber o impacto da idéia, basta saber que, depois de Descartes, o mundo passou a viver séculos de revoluções em várias áreas, botando abaixo tudo o que não resistia à dúvida, seja a idéia de que a Terra é o centro do Universo, seja a de que os reis são pessoas superiores. Para o historiador francês Alexis de Tocqueville, a Revolução Francesa, por exemplo, foi “feita por cartesianos que saíram das escolas e desceram à rua”. Se você usa uma camiseta com o Che Guevara, mude já a estampa: revolucionário mesmo foi Descartes e sua idéia de duvidar de tudo.

Cinismo: Doutrina de filosofia grega que considerava a honestidade o único requisito para a felicidade. Único, mas único mesmo: os cínicos eram filósofos-mendigões, ascetas radicais que não estavam nem aí para roupa, dinheiro, família, costumes, tradição e higiene. Viviam conforme a natureza, como cachorros vira-latas, e não apenas aceitaram o rótulo como tomavam o bicho como símbolo de sua idéia de virtude, daí o nome (do grego cyon, “cachorro”). Diógenes (412-323 a.C.), o maior dos cínicos, era realmente um morador de rua e teve várias histórias famosas: quando perguntaram a ele como resistir aos desejos da carne, ele se masturbou em público e disse: “Se ao menos eu pudesse matar minha fome esfregando a barriga...” Quando Alexandre, o Grande, perguntou a Diógenes se podia lhe fazer algum favor, o cínico respondeu: “Sim, saia da frente do meu sol”. A fama dura até hoje.

25/07/2016

Aviso: Os livros que podem curar doenças

Ella Berthoud e Susan Elderkin sugerem livros para tratar os mais variados padecimentos que afligem as nossas vidas, mas há legítimas suspeitas de que não possuem habilitações para passar receitas

Em O consolo da filosofia (publicado originalmente em 2000 e editado em Portugal pela D. Quixote), Alain de Botton recorreu a filósofos célebres para dar resposta a problemas prosaicos que podem afligir qualquer um: Sócrates para a falta de popularidade (um padecimento que se reveste de maior gravidade na era do Facebook do que na Grécia Clássica), Epicuro para a falta de dinheiro (assunto intemporal, com ou sem políticas de austeridade), Séneca para a frustração, Montaigne para a “inadequação” (a palavra inglesa “inadequacy” é de difícil tradução e pode ser entendida como a incapacidade para enfrentar situações ou a vida em geral), Schopenhauer para os desgostos amorosos ou Nietzsche para enfrentar dificuldades.

O livro está elaborado com sageza e humor e a filosofia não é abastardada por aproximar-se do comum dos mortais e dos seus comezinhos problemas e ao ser vertida em linguagem clara e acessível – o que não impediu que Botton fosse rotulado, pejorativamente, de “filósofo pop”, por ter retirado a filosofia da sua torre de marfim e da sua teia de elucubrações abstrusas e de lhe ter devolvido a sua função primordial de dar resposta às indagações fulcrais da existência: como viver uma vida boa e justa? Como encontrar nela um sentido?

Em Remédios literários: Livros para salvar a sua vida, de A a Z(Quetzal), Ella Berthoud e Susan Elderkin, ensaiam abordagem análoga, recorrendo não à filosofia mas à literatura.


O que vem a ser isso da literatura?

Para Berthoud & Elderkin, literatura não inclui poesia nem ensaio ou memórias ou alguma forma de não-ficção. Mesmo na ficção, não há lugar para contos – só para romances. E entre estes é evidente uma preferência por obras de autores anglo-saxónicos.